domingo, 20 de maio de 2012

" A arte não reproduz o que vemos. Ela nos faz ver." (Paul Klee)

A arte não necessita mostrar somente o que é bonito, ela pode mostrar também problemas que mesmo sabendo de sua existência permanece oculta.
Um dos artistas que mostra em sua arte essas REALIDADES OCULTAS é Frank Fournier, nasceu em 1948 em Saint-Sever na França. Um fotógrafo profundamente humanista, que, desde então, produziu um trabalho em crianças com AIDS na Romênia, vítimas de estupro em Sarajevo durante a guerra civil na Bósnia, do genocídio em Ruanda, a destruição do World Trade Center em 11 de setembro de 2001, e muitas histórias na Central América e África. Veja alguma de suas fotos:

 Ataque ao World Trade Center em 11 de Setembro

Frank Fournier conta como fotografou a menina colombiana Omayra Sanchez nos seus últimos momentos de vida após ficar presa aos entulhos na explosão de um vulcão na Colombia em 1985. Uma imagem bastante forte,  entenda a situação e reflita sobre a capacidade desta ferramenta em contar uma história e criar “a ponte” que Frank cita :"Ela estava num grande lamaçal, presa da cintura para baixo por concreto e outros restos das casas que haviam desabado. Ela estava ali por quase três dias. Começava a amanhecer e a pobre menina estava sentindo dores e muito confusa.  Os funcionários de resgate tinham dificuldade em chegar até as vítimas. Eu conseguia ouvir as pessoas gritando por ajuda e depois silêncio, um silêncio sinistro.E daí tinha essa menininha e as pessoas não tinham poder para ajudá-la. Os funcionários de resgate voltavam para falar com ela, fazendeiros locais e algumas pessoas que tinham algum tipo de ajuda médica. Eles tentavam confortá-la.Quando eu tirei as fotos eu me senti completamente impotente na frente dessa menininha, que estava enfrentando a morte com coragem e dignidade.Eu achei que a única coisa que eu podia fazer era retratar adequadamente a coragem, o sofrimento e a dignidade dessa menininha e esperar que isso mobilizasse as pessoas a ajudar aqueles que haviam sido resgatados e salvos.
A essa altura, Omayra já perdia a consciência, às vezes recobrando-a. Ela até me perguntou se eu podia levá-la para a escola porque ela estava preocupada que chegaria atrasada.Eu dei o meu filme para alguns fotógrafos que estavam voltando para o aeroporto e pedi para que eles o mandassem para o meu agente em Paris. Omayra morreu cerca de três horas depois de eu chegar lá.Na hora, eu não percebi o poder da fotografia, a forma como o olho da menina se conectou com a câmera."

Nenhum comentário:

Postar um comentário